PF deflagra operação sobre financiamento do filme Dark Horse

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Por José Pimenta


Foto: Mário Frias/Reprodução

Brasília – A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos ligados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

Alvos e mandados

Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo e roteirista do filme, e a empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela obra. Ao todo, a operação mira 53 alvos, sendo 29 pessoas físicas e 24 jurídicas. Não houve mandados de prisão.

O que apura a investigação

A PF e a Controladoria-Geral da União investigam irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A suspeita é de que recursos públicos, incluindo cerca de R$ 2 milhões repassados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina Gama, tenham sido desviados para a produção do filme. A investigação aponta indícios de triangulação financeira e uso de empresas subcontratadas sem comprovação de serviços prestados.

Segundo a PF, a produtora Go Up Entertainment registrou movimentações atípicas de mais de R$ 19 milhões em contas correntes no final de 2025. Entre os remetentes de recursos estão o próprio Mario Frias (cerca de R$ 645 mil) e o ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro (PL), Marcello de Oliveira Lopes, que enviou R$ 1 milhão.

Contexto do filme

Dark Horse é uma cinebiografia sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, com foco na campanha de 2018 e no atentado a faca. O filme, ainda não lançado, tem o ator Jim Caviezel no papel principal e foi produzido com orçamento elevado. Há outras investigações em curso sobre possíveis repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção, a pedido de Flávio Bolsonaro.

Reações

Mario Frias classificou a operação como “cortina de fumaça” em ano eleitoral. A defesa de Karina Gama nega irregularidades e afirma que os recursos foram aplicados corretamente. A autorização de Dino para a operação foi dada em 3 de setembro, antes das recentes crises envolvendo o comando da Polícia Federal.

A operação ocorre em meio à disputa presidencial e pressiona a candidatura de Flávio Bolsonaro, que vinha destacando que o filme contava apenas com financiamento privado.