Por Victor Carvalho

Brasília – Deputados e senadores retomam oficialmente as atividades parlamentares nesta segunda-feira (10) em ritmo acelerado, na tentativa de compensar semanas de lentidão provocadas pelo foco nas eleições. Temas polêmicos que possam contaminar a percepção pública sobre o Congresso devem ficar de fora das discussões, além de sessões semipresenciais na Câmara e no Senado também limitarem a análise de propostas complexas e reduzirem o engajamento com autoridades.
Os parlamentares retornarão a Brasília entre 31 de agosto e 3 de setembro para a última rodada de votações antes do pleito.
Expectativa na Câmara
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), convocou reunião de lideranças partidárias nesta terça-feira (11) para definir a pauta da semana. Entre as possibilidades estão a deliberação do PLP 164/2026, que permite o uso de arrecadação extra para reduzir tributos sobre combustíveis, e do PL 5229/2025, que regulamenta suplementos alimentares.
O governo deve pressionar pela aprovação de Medidas Provisórias com prazo curto, como a MP 1353/2026 (linhas de crédito para veículos pesados) e a MP 1352/2026 (crédito extraordinário do Brasil Soberano), que expiram antes da próxima semana de esforço concentrado, marcada para o dia 31.
Expectativa no Senado
Na terça-feira (11), os senadores devem analisar o PL 699/2023 (Profert). Na quarta-feira (12), a pauta inclui o PLP 124/2022 (normas para solução de controvérsias), o PL 6461/2019 (Estatuto do Aprendiz) e o PL 3099/2019 (Política Nacional de Autocuidado). Assim como na Câmara, há expectativa em torno de MPs que perdem a validade nas próximas semanas.
Reaproximação entre Lula e Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), se reuniram na última semana após meses de rompimento. O encontro busca melhorar a relação no médio e longo prazo, mais do que destravar propostas sensíveis no curto prazo, como a PEC da redução da jornada de trabalho (6×1). A reconstrução de laços é vista como essencial para eventuais aspirações futuras de ambos — um novo mandato de Lula no Planalto e a permanência de Alcolumbre na presidência do Congresso. A relação menos conflituosa pode facilitar a análise de MPs do governo, mas temas complexos, como a redução da jornada, tendem a ser postergados para depois das eleições.
