Por Érico Haruo

Brasília – O Partido Socialista Brasileiro (PSB) formalizou, nesta quarta-feira (29), em convenção nacional realizada em Brasília, a candidatura de Geraldo Alckmin a vice-presidente na chapa encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a reeleição. A decisão foi aprovada por unanimidade e também confirmou a coligação com a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV).
O evento contou com a presença do próprio Lula, do presidente nacional do PSB, João Campos, e de diversas lideranças do governo e do partido. Alckmin, que já ocupa o cargo de vice desde 2023, repetirá a dobradinha que venceu as eleições de 2022.
Discursos e elogios mútuos
Em seu pronunciamento, Alckmin destacou os resultados do atual governo e criticou o que chamou de “bordão dos extremistas” — a frase “Deus, pátria, família e liberdade”, associada ao bolsonarismo. Ele também reforçou a defesa da democracia e atacou indiretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula nas pesquisas.
Lula, por sua vez, elogiou o companheiro de chapa. “O Alckmin é aquela garantia que todo mundo precisa. Com ele, a gente nunca vai pensar que vai dormir e vai ter um golpe no dia seguinte de manhã”, afirmou o presidente. Lula também projetou vitória já no primeiro turno e disse que, mesmo que a chapa “só erre daqui para frente”, o saldo positivo do mandato seria suficiente para garantir a reeleição.
Contexto da aliança
O PSB é o segundo partido a oficializar o apoio à reeleição de Lula — o primeiro foi o PDT, na semana passada. A convenção nacional do PT, que deve confirmar a candidatura do presidente, está marcada para o dia 2 de agosto, em São Paulo. O prazo para as convenções partidárias se encerra em 5 de agosto.
Apesar da consolidação da aliança no plano nacional, ainda há impasses em alguns estados. No Distrito Federal, por exemplo, PT e PSB devem seguir em chapas distintas na disputa pelo governo local.
A manutenção de Alckmin na vice reforça a estratégia de Lula de manter um perfil moderado e de centro na chapa, buscando atrair eleitores além da base tradicional petista. O vice, que comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços durante boa parte do mandato, ganhou projeção especialmente nas negociações comerciais com os Estados Unidos após os tarifaços de 2025 e 2026.
Com a formalização, a chapa Lula-Alckmin entra oficialmente na reta final de preparação para as eleições de outubro.
