Por Duda Silva

Brasília – As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) avançam nas negociações para formação de alianças com partidos do centrão. Embora no plano nacional as principais legendas do grupo já tenham sinalizado neutralidade, os entendimentos estaduais – especialmente nas disputas por governos e Senado – são vistos como decisivos para a corrida presidencial, dada a capilaridade dessas siglas em todo o país.
Para viabilizar as alianças, PT e PL têm aberto mão da hegemonia partidária, reduzindo candidaturas próprias e cedendo a cabeça de chapa a aliados estratégicos. Dos 27 estados e Distrito Federal, ambos devem lançar candidatos em menos da metade, priorizando acordos com PSD, MDB, Republicanos, União Brasil e Progressistas (PP).
Legendas mais cobiçadas
PSD, MDB, Republicanos e a federação União Progressista são os principais alvos das duas campanhas. Essas legendas reúnem máquinas partidárias consolidadas, controle de recursos bilionários, tempo generoso de rádio e TV, além de governadores e prefeitos competitivos nos maiores colégios eleitorais. Elas funcionam como pontes essenciais não apenas para a eleição, mas também para a governabilidade futura.
Exemplos já definidos incluem o apoio do PT a Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro, e o respaldo bolsonarista a Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e a ACM Neto (União) na Bahia. Em troca, as campanhas oferecem ministérios, cargos no segundo escalão, liberação de emendas, investimentos federais e garantia de não hostilizar governadores aliados durante o mandato.
Situação de Lula
As negociações de Lula estão avançadas, mas o principal nó a ser desatado é Goiás. O diretório estadual do PT insiste em lançar candidatura própria com Luis Cesar Bueno, contrariando a estratégia nacional de ampliar alianças. As opções em discussão incluem convencer o diretório local a recuar, buscar acordo com MDB ou PSB, ou aceitar uma candidatura isolada em um estado de chances limitadas.
Situação de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro ainda enfrenta indefinições em seis estados estratégicos: Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Amapá, Espírito Santo e Maranhão. O maior desafio é Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O PL estuda nomes, sendo Vittorio Medioli (PL) o cotado no momento, embora o senador Cleitinho (Republicanos) seja visto como mais competitivo.
Em Pernambuco e Alagoas, a expectativa é de ausência de coligação oficial. No Espírito Santo, as conversas caminham para apoio a Lorenzo Pazolini (Republicanos). Maranhão e Amapá, redutos petistas tradicionais, devem permanecer sem definição.
