Por Chico Castro

Brasília – Os Estados Unidos confirmaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre importações de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), integra uma investigação da Seção 301 e entra em vigor imediatamente.
De acordo com o USTR, países que não adotaram ou não aplicam de forma efetiva proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado serão taxados em 12,5%. Já aqueles que implementaram restrições parciais ou firmaram compromissos receberão alíquota de 10%. O Brasil ficou no patamar mais alto da cobrança.
Contexto da medida
A decisão faz parte de uma ofensiva comercial mais ampla do governo Trump contra práticas consideradas desleais. A investigação avaliou 60 economias e concluiu que muitos governos, incluindo o brasileiro, não possuem mecanismos robustos de fiscalização para bloquear produtos oriundos de trabalho forçado nas cadeias de suprimento globais.
No caso do Brasil, a tarifa se soma à recente sobretaxa de 25% imposta via outra investigação da Seção 301, elevando a pressão sobre exportadores nacionais em um momento de tensões bilaterais.
Impactos esperados
A nova sobretaxa pode afetar diversos setores da economia brasileira, especialmente aqueles com cadeias produtivas complexas, como agricultura, mineração, têxtil e manufaturados. Analistas estimam que a medida, combinada com as tarifas anteriores, pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras nos EUA e pressionar a balança comercial.
Empresários e entidades setoriais já manifestam preocupação com o acúmulo de barreiras comerciais impostas por Washington. O governo federal deve intensificar negociações bilaterais e multilaterais para mitigar os efeitos.
A tarifa de 12,5% reforça o padrão protecionista da atual administração americana e deve gerar debates na Organização Mundial do Comércio (OMC) nos próximos meses.
