Lula atua para conter crise com Jaques Wagner e acelera propostas eleitorais

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Por Jofa Passos


Foto: Ricardo Stuckert / PR

Brasília – Em uma semana sem votações no Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentra esforços em três frentes: amenizar os impactos das denúncias envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT/BA), avançar na proposta de ampliação do limite de faturamento do MEI e retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP).

Permanência de Jaques Wagner é questionada

Interlocutores do Palácio do Planalto consideram “sofríveis” as explicações apresentadas por Jaques Wagner, especialmente sobre a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões. A pressão interna para que o senador deixe a liderança do governo e foque em sua defesa cresce, com o temor de que o caso interrompa a melhora recente nos índices de popularidade de Lula.

Defensores do afastamento argumentam que a permanência de Wagner no cargo compromete a narrativa do governo de combate à corrupção e pode desgastar a imagem do presidente junto ao eleitorado indeciso.

Ampliação do limite do MEI ganha prioridade

O governo acelera a proposta de aumento do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 110 mil em 2027 e R$ 130 mil em 2028. A medida é vista como estratégica para melhorar a avaliação de Lula entre 16,8 milhões de micro e pequenos empreendedores — o segmento de menor renda com a pior percepção sobre o governo.

O pacote inclui a expansão da plataforma Contrata+Brasil, que pode elevar de 8 mil para 3 milhões o número de MEIs aptos a prestar serviços ao poder público.

Expectativa de encontro com Alcolumbre

Ainda não há data confirmada, mas nos bastidores há expectativa de uma reunião entre Lula e Davi Alcolumbre no curto prazo. O objetivo é viabilizar um acordo temporário até o fim do semestre legislativo.

Um entendimento é considerado essencial para destravar pautas prioritárias do governo, como a PEC da redução da jornada de trabalho (6×1) e a regulamentação da exploração de minerais críticos, além de evitar a análise de pautas-bomba que, segundo o Planalto, poderiam gerar perda de R$ 50 bilhões anuais em arrecadação.