Por Érico Haruo

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, entre os dias 15 e 17 de junho, da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, como convidado da presidência francesa do grupo. O encontro reuniu líderes das principais economias industrializadas para discutir temas como conflitos internacionais, crescimento econômico, inteligência artificial, minerais críticos, segurança digital e desenvolvimento sustentável.
Durante sua participação, Lula defendeu a ampliação do financiamento aos países em desenvolvimento, a redução das desigualdades globais e a reforma dos mecanismos de governança internacional. Em discurso, também criticou o avanço do protecionismo e do unilateralismo no comércio mundial.
À margem da cúpula, o presidente brasileiro realizou reuniões bilaterais com autoridades europeias e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, quando foram discutidos o conflito entre Rússia e Ucrânia e alternativas para uma solução diplomática. Lula também se reuniu com representantes da União Europeia para tratar das restrições às importações de produtos brasileiros, especialmente carnes, sem que houvesse alteração das medidas já anunciadas pelo bloco.
A participação do Brasil ocorreu em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos, diante da possibilidade de novas tarifas sobre exportações brasileiras. Apesar das expectativas, não houve encontro bilateral entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump. Ainda assim, declarações de Trump sobre a política brasileira repercutiram durante o evento, levando Lula a defender o respeito à soberania nacional e a não interferência estrangeira nas eleições do país.
Na agenda econômica, o Brasil optou por não aderir à declaração do G7 sobre minerais críticos, por considerar que o texto privilegiava aspectos geopolíticos sem contemplar adequadamente o desenvolvimento industrial dos países produtores. Por outro lado, apoiou iniciativas relacionadas à proteção de menores no ambiente digital e participou das discussões sobre inteligência artificial e cooperação tecnológica.
A avaliação do governo é de que a presença de Lula no G7 fortaleceu a defesa dos interesses dos países em desenvolvimento em temas como financiamento, comércio e reforma da governança global. No entanto, as negociações comerciais com Estados Unidos e União Europeia seguem como desafios relevantes para a política externa brasileira, especialmente diante das incertezas sobre novas barreiras tarifárias e sanitárias.
