EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

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Por Érico Haruo


Foto: Joyce N. Boghosian / Casa Branca

Brasília – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, formalizou nesta quinta-feira (28) a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida enquadra as duas facções criminosas brasileiras em duas categorias: “terroristas globais especialmente designados” (efeito a partir de 5 de junho) e “organizações terroristas estrangeiras” (efeito imediato).

A decisão permite que os EUA apliquem sanções a indivíduos e entidades — mesmo fora do território americano — que mantenham qualquer tipo de relação com o PCC ou o CV. O fornecimento de bens, serviços ou recursos financeiros a esses grupos passa a ser considerado violação da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos.

O enquadramento ocorre após uma série de reuniões do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) em Washington. O próprio senador confirmou ter sugerido a classificação das facções como terroristas, embora a medida já fosse discutida internamente pelo governo americano desde o primeiro semestre de 2025.

Impactos econômicos e diplomáticos

A designação cria um cenário de alto risco para empresas, instituições financeiras, concessionárias e prestadoras de serviços que atuam no Brasil. Especialistas alertam para o aumento significativo de custos com auditoria e compliance, além de possível redução no fluxo de investimentos estrangeiros diretos. Experiências semelhantes no México, Grécia e Espanha registraram esfriamento de investimentos e queda de até 10% no capital externo.

No plano diplomático, a medida deve gerar nova tensão nas relações bilaterais Brasil-EUA, que já atravessam negociações delicadas sobre tarifas comerciais. Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou publicamente, mas fontes do Itamaraty indicam que a pasta deve manter o canal de diálogo com Washington, buscando evitar escalada no atrito.

A decisão reforça a prioridade da administração Trump no combate ao crime organizado transnacional e projeta impactos de longo prazo tanto na segurança pública quanto na economia brasileira.