Por Chico Castro

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentra sua agenda política desta semana em dois movimentos considerados estratégicos para a governabilidade e para o posicionamento eleitoral em 2026. O primeiro é o lançamento do plano “Brasil Contra o Crime Organizado”, com investimentos de R$ 11,1 bilhões. O segundo é uma articulação para realizar uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), em busca de pacificação institucional e destravar votações prioritárias.
Plano “Brasil Contra o Crime Organizado”
O novo pacote de segurança pública será lançado após o retorno de Lula da viagem a Washington e tem quatro eixos principais: asfixia financeira das organizações criminosas, segurança em presídios, esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas.
Do ponto de vista político, o governo busca com a iniciativa ocupar espaço no debate de segurança pública — tema tradicionalmente dominado pela oposição de direita. Ao convidar os Estados Unidos a participarem do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, Lula também tenta neutralizar críticas de que o governo seria leniente com facções criminosas e evitar eventuais desdobramentos diplomáticos, como a possível designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
A Secretaria de Comunicação (Secom) deve explorar intensamente o plano em peças publicitárias, enquanto o presidente pretende destacar o volume de recursos em discursos e viagens pelos estados.
Reunião com Alcolumbre e pacificação
Paralelamente, o Planalto trabalha para viabilizar um encontro direto com Davi Alcolumbre. Ainda sem data confirmada e com resistências por parte do senador, a reunião é vista como um gesto importante de distensão após os recentes atritos.
Lula deve sinalizar recuo de eventuais retaliações contra Alcolumbre e parlamentares da base, especialmente se houver avanço em um novo nome para o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições. Em troca, o governo espera o compromisso do presidente do Senado para destravar pautas prioritárias, como a redução da jornada de trabalho (6×1) e a regulamentação dos minerais críticos.
Impacto no ambiente político da Câmara
O lançamento do pacote de segurança pode oferecer aos deputados da base governista uma narrativa positiva para levar aos redutos eleitorais. No entanto, a medida tende a gerar atrito com a bancada da segurança pública, de perfil mais punitivista.
Analistas avaliam que a fragilidade atual da base governista no Senado, exposta nos ruídos com Alcolumbre, pode estimular dissidências também na Câmara. O desfecho das negociações com o presidente do Senado deverá reverberar diretamente na Casa Baixa: um acordo bem-sucedido abriria uma janela favorável para a aprovação de pautas prioritárias ainda no primeiro semestre.
