Por Duda Silva

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve assinar até sexta-feira (1º de maio) a Medida Provisória que institui o Desenrola 2.0, novo programa de renegociação de dívidas. A iniciativa integra uma ofensiva do Palácio do Planalto para reverter a queda de popularidade do presidente e fortalecer sua posição às vésperas do início da corrida eleitoral de 2026.
Além do Desenrola 2.0, o governo negocia no Senado uma proposta específica de renegociação para o agronegócio e articula na Câmara a aceleração do PLP 114/2026, que autoriza o uso de receitas extraordinárias do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis (gasolina, diesel, etanol e biodiesel).
O que prevê o Desenrola 2.0
O novo programa deve ampliar prazos e descontos para a renegociação de dívidas bancárias, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos. Entre as medidas em estudo estão:
– Descontos de até 95% sobre juros e multas;
– Prazos de pagamento estendidos para até 60 meses;
– Carência inicial de até três meses para o início das parcelas.
Agronegócio terá pacote próprio
Paralelamente, o governo negocia com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado um texto alternativo ao PL 5122/2023. A proposta autoriza o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de crédito destinada a quitar dívidas rurais.
O pacote para o setor rural deve incluir renegociação com juros subsidiados, ampliação de linhas de crédito e possível desoneração temporária de insumos agrícolas, especialmente os afetados pela alta do dólar.
Expectativa de aprovação no Congresso
A receptividade às medidas tende a ser positiva no Congresso, especialmente por terem forte apelo popular em ano eleitoral. A melhora na relação de Lula com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e a chegada do deputado José Guimarães (PT-CE) à Secretaria de Relações Institucionais são vistas como facilitadoras.
No entanto, o ambiente pré-eleitoral já está acirrado, o que deve dificultar acordos amplos. O calendário apertado de votações até 17 de julho também representa um desafio para o governo.
Impacto na popularidade de Lula
O efeito esperado na popularidade do presidente é positivo, mas gradual e limitado. A renegociação de dívidas atinge diretamente cerca de 70 milhões de brasileiros endividados e pode ser percebida como uma ação prática de alívio financeiro.
Especialistas alertam, porém, que o sucesso depende da capacidade de execução do programa. Versões anteriores do Desenrola enfrentaram entraves burocráticos que geraram frustração. O anúncio no Dia do Trabalhador (1º de maio) busca maximizar o impacto político ao longo de 2026.
Por outro lado, analistas do mercado financeiro já sinalizam preocupação com o risco fiscal das medidas.
