PR: Ratinho Júnior desiste de concorrer à Presidência em 2026 e vai concluir o mandato no Paraná

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Por Érico Harou


Foto: Geraldo Bubniak/AEN

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), anunciou nesta segunda-feira (23) que desistiu oficialmente da pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026. Em nota oficial, ele informou que vai cumprir integralmente o segundo mandato no Palácio Iguaçu até dezembro deste ano, deixando de participar da discussão interna do PSD sobre o nome que disputará o Planalto.

A decisão foi comunicada ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e surpreendeu até aliados próximos. Horas antes do anúncio, deputados da base aliada almoçavam com o governador no Palácio Iguaçu em clima de despedida, na expectativa de que ele deixasse o cargo em breve para se lançar nacionalmente.

Motivos da Desistência

Segundo interlocutores próximos ao governador, a decisão de Ratinho Júnior foi motivada por uma combinação de fatores. Em primeiro lugar, ele priorizou a sucessão estadual no Paraná: caso deixasse o governo agora para disputar a Presidência, correria o risco de perder o controle político do estado para adversários como o senador Sergio Moro (PL) [MV1] ou outros nomes da direita. Permanecendo no cargo até o fim do mandato, consegue articular com mais tranquilidade um sucessor de sua confiança.

Outro ponto decisivo foi a conversa em família no domingo (22), quando, após longa reflexão, optou por colocar a vida pessoal e familiar acima da corrida presidencial. Por fim, o cenário nacional também pesou: mesmo sendo o nome mais competitivo dentro do PSD, Ratinho via dificuldades concretas de crescimento em meio à forte polarização entre Lula e o bolsonarismo, avaliando que uma candidatura nacional neste momento poderia enfraquecer seu grupo político no Paraná sem grandes chances de vitória. Após o fim do mandato, Ratinho Júnior planeja retornar ao setor privado e ao grupo de comunicação da família.

Impacto no PSD e no Tabuleiro de 2026

Ratinho Júnior era considerado o nome mais competitivo do PSD para a corrida presidencial e o que melhor representava a chamada “terceira via” ou centro-direita moderada. Com sua saída, o partido agora deve escolher entre os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) para disputar a indicação interna.

A desistência foi vista com alívio tanto por aliados de Lula quanto por bolsonaristas, que apostam que o PSD tenderá a lançar Ronaldo Caiado — nome mais alinhado à direita. A decisão também baralha ainda mais as chances de uma candidatura forte de centro, enfraquecendo a terceira via.

Com a saída de Ratinho Júnior, o PSD perde seu nome de maior projeção nacional no momento, e o xadrez eleitoral de 2026 ganha mais um movimento importante: o foco volta-se para a sucessão no Paraná e para a definição do candidato presidencial do partido de Gilberto Kassab. A polarização entre PT e PL segue dominando o cenário, enquanto o centro continua fragmentado.