Guerra EUA-Israel x Irã completa 18 dias e faz preço do petróleo disparar; gasolina e diesel sobem no Brasil

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Por Luciana Abreu


Foto: Leo Correa/AP

O conflito direto entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro com ataques coordenados que resultaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, entra hoje no 18º dia sem sinais de trégua. Bombardeios recentes atingiram instalações de petróleo e gás no Irã, enquanto o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — permanece sob forte ameaça de bloqueio. O resultado imediato: o barril de Brent ultrapassou US$ 105 na abertura dos mercados esta semana e segue acima de US$ 100, pressionando diretamente os preços dos combustíveis no Brasil.

A escalada começou com uma operação militar americana e israelense que destruiu alvos estratégicos em Teerã, capital do Irã, incluindo a liderança do regime iraniano. Desde então, o Irã retaliou com ataques a bases regionais e ameaças a navios no Ormuz, levando Trump a afirmar que os EUA “não precisam de ajuda” para reabrir a rota marítima, enquanto a Otan recusa apoio direto. Israel segue em ofensiva, com novos bombardeios reportados nesta terça-feira (17) em Teerã e no Líbano. Analistas internacionais afirmam que não há perspectiva de fim rápido do conflito.

Impacto direto no bolso do brasileiro

No Brasil, o efeito já está chegando às bombas. A Petrobras, que segue a paridade internacional, sente a pressão do petróleo mais caro. Segundo a Agência Brasil, o impacto pleno no consumidor pode demorar algumas semanas porque as refinarias ainda processam estoques antigos, mas os primeiros reajustes já aparecem: alta de até R$ 0,30 na gasolina e R$ 0,80 no diesel em vários estados.

Especialistas do BTG Pactual e da XP Investimentos projetam que, se o Brent se estabilizar acima de US$ 100 (patamar que estava em torno de US$ 60 antes da guerra), a inflação medida pelo IPCA pode subir entre 0,25 e 0,40 ponto percentual a cada 10% de alta no petróleo. “O risco maior é um conflito prolongado”, alerta relatório do BTG. “Isso comprometeria o planejamento fiscal do governo para 2026 e alimentaria inflação em alimentos e transporte.”

Por que o Brasil é afetado tão rápido?

O país importa cerca de 10% do petróleo que consome e a Petrobras repassa a variação cambial e internacional para os preços. Com o dólar também é volátil, por causa da aversão global ao risco, o efeito cascata é inevitável. Economistas lembram que, mesmo com a produção recorde do pré-sal, o Brasil ainda é “price taker” no mercado global de petróleo.

Trump minimizou o impacto nos EUA e afirmou que “a guerra está quase terminada”, mas analistas brasileiros discordam: enquanto o Estreito de Ormuz não for plenamente reaberto, o risco de novo salto nos preços permanece alto.

O que esperar nas próximas semanas

  • Se o conflito durar até abril: gasolina pode subir mais R$ 0,40 a R$ 0,60 por litro em média nacional. 
  • Inflação 2026: projeções sobem de 3,8% para perto de 5%. 
  • Governo: zerou os impostos federais (PIS/Cofins) e negociação com revendedoras e estados para equilibrar preços.