Por Érico Harou

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), confirmou nesta quinta-feira (12) que deixará o Mato Grosso do Sul para transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo e disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro de 2026. A decisão, anunciada durante entrevista coletiva após o 96º Fórum Nacional de Secretários Estaduais do Planejamento, em Campo Grande, atende a pedidos diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Tebet afirmou que “decidiu cumprir a missão” após uma conversa de mais de quatro horas com Lula e que só faltava “pedir a bênção de sua mãe”, obtida na quarta-feira (11).
Natural de Três Lagoas (MS), onde foi vice-governadora e senadora (2015-2023), Tebet destacou laços pessoais e eleitorais com São Paulo – seu marido é paulista – e lembrou que, na eleição presidencial de 2022, boa parte de seus 4,9 milhões de votos veio do estado. “Política é missão. Eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo ser muito importante para o Brasil”, declarou, enfatizando o peso nacional da eleição paulista.
A ministra deve deixar o cargo até o final de março para se dedicar à articulação eleitoral, com prazo limite de 4 de abril para a transferência de domicílio. A mudança partidária também será necessária: o MDB em São Paulo deve apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que inviabiliza a candidatura de Tebet na sigla. Conversas avançam com o PSB (partido de Alckmin) como principal destino, abrindo caminho para uma chapa alinhada ao governo federal.
Contexto: Disputa Acirrada por Duas Vagas no Senado Paulista
São Paulo tem duas vagas ao Senado em 2026, com cenário competitivo e múltiplos nomes do governo Lula na corrida. Além de Tebet, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), também é cotada para disputar uma cadeira. Se o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmar candidatura ao governo estadual (como esperado), o espaço para França (PSB) ou outros petistas no Senado pode se abrir, mas Tebet surge como favorita em pesquisas preliminares.
Levantamentos recentes, como o Real Time Big Data (março/2026), mostram Tebet empatada tecnicamente ou à frente em vários cenários, com 16-20% das intenções de voto, disputando liderança com Guilherme Derrite (PP) e Marina Silva. O Datafolha e outros institutos indicam potencial alto da ministra em SP, onde ela ganhou visibilidade nacional na campanha de 2022.
Reações e Implicações Políticas
A saída de Tebet do ministério fortalece o palanque de Lula em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, e pode ajudar na reeleição presidencial ao atrair o centro moderado. No entanto, a mudança gera críticas no MDB sul-mato-grossense, que perde uma liderança histórica, e questionamentos sobre o “deslocamento” de figuras nacionais para estados maiores.
Lula e Alckmin celebraram a decisão como estratégica para o arco de alianças governista. Tebet, que já foi cotada para outros cargos, agora aposta no Senado para manter influência nacional. Com o prazo de filiações e convenções se aproximando, a ministra inicia articulações para formar coligação ampla, incluindo PT, PSB e possivelmente outros partidos do Centrão. A disputa pelo Senado em SP promete ser um dos termômetros da eleição nacional de 2026.
