SC: Jorginho Mello lidera corrida pela reeleição com rachas na direita e esquerda em busca de espaço 

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Por Duda Silva


Foto: Roberto Zacarias/SecomGOVSC

A pouco mais de sete meses do primeiro turno das eleições gerais, o cenário político em Santa Catarina se consolida como um reduto conservador, com o governador Jorginho Mello (PL) despontando como favorito à reeleição. Considerado o estado mais alinhado à direita no Brasil, SC vê a polarização nacional se refletir localmente, com alianças bolsonaristas fortalecidas, fragmentações no centro-direita e uma esquerda tentando capitalizar brechas para avançar – especialmente no Senado. Pesquisas recentes e articulações partidárias indicam uma disputa acirrada, mas com Mello em posição confortável, amparado por aprovação de cerca de 75% e intenções de voto acima de 48% em cenários simulados. 

Governo: Mello na frente, com aliança Novo-PL e oposição fragmentada 

Jorginho Mello, que assumiu o Palácio Agronômica em 2023 após vitória esmagadora em 2022 (70,7% dos votos), busca um segundo mandato ancorado no antipetismo e no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua chapa, confirmada recentemente, inclui o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice – uma aliança que antecipou movimentos e consolidou o campo governista. Mello tem evitado eventos com o presidente Lula, mantendo antagonismo ao governo federal, o que rende frutos em um eleitorado conservador. 

Na oposição, o principal nome é o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que surge como alternativa na centro-direita, mas com intenções de voto em torno de 22-25% nas pesquisas, atrás de Mello. Rodrigues pode ganhar musculatura com apoio do União Brasil, mas sua candidatura ainda é vista como enfraquecida pela falta de movimentação inicial. Outros postulantes incluem Afrânio Boppré (PSOL), pela esquerda, e Marcelo Brigadeiro (Missão), do novo partido ligado ao MBL, ambos com foco em ampliar bancadas legislativas em vez de vitória majoritária. 

O PT, tradicionalmente fraco no estado, aposta em Décio Lima (ex-presidente do Sebrae) para uma vaga no Senado ou composição maior, vendo no racha da direita uma “oportunidade rara” para crescer. Há especulações de alianças com o MDB, que discute candidatura própria ou apoio ao centro-esquerda via Brasília, possivelmente com Gelson Merísio (PSB). 

Senado: disputa acirrada com influência bolsonarista 

As duas vagas ao Senado são o ponto de maior tensão. Bolsonaro indicou uma chapa do PL com a deputada federal Caroline de Toni e o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), mexendo no tabuleiro ao atrair o filho para SC e forçando De Toni a deixar o PL temporariamente para viabilizar a candidatura. Essa estratégia bolsonarista visa manter o controle conservador, mas gera críticas internas e pode abrir brechas para opositores. 

O senador Esperidião Amin (PP) busca reeleição, enquanto Décio Lima (PT) é o nome da esquerda para tentar uma vaga inédita em anos recentes. O racha na direita, incluindo disputas entre PL e PSD, pode beneficiar a centro-esquerda, segundo analistas. 

Pesquisas e contexto: direita dominante, mas com incertezas 

Levantamentos como o Real Time Big Data (dezembro/2025) e Quaest (janeiro/2026) mostram Mello com 48-50% das intenções, superando rivais com folga. O estado, com 7,5 milhões de eleitores, é historicamente hostil ao PT, mas a esquerda vê no antipetismo como estratégia da direita uma chance de contra-ataque. 

O TSE aprovou resoluções para o pleito, incluindo regras de conduta e prazos, com convenções entre 20 de julho e 5 de agosto. Fatores como economia regional (agricultura e turismo) e polarização nacional influenciarão o voto, com o bolsonarismo ainda forte apesar da prisão de Bolsonaro. 

Reações e perspectivas: polarização local-nacional 

Líderes como Flávio Bolsonaro selaram apoio a Mello, pressionando o MDB a reagir com possível candidatura própria. Analistas apontam para uma “super-polarização” na direita, com conflito local-nacional, mas com chances altas de vitória conservadora. Para a esquerda, o foco é em bancadas maiores na Alesc e Câmara, com esperança de uma vaga no Senado. 

Com o tabuleiro se definindo, SC promete ser palco de uma eleição que ecoa o embate nacional: continuidade conservadora versus tentativa de equilíbrio. As convenções partidárias serão decisivas para confirmar chapas e alianças.