Por Chico Castro

Brasília – A mais recente rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25), revela um cenário de forte polarização para as eleições presidenciais de outubro de 2026. Pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulação de segundo turno, embora dentro da margem de erro. O levantamento, realizado entre 19 e 24 de fevereiro com 4.986 eleitores recrutados digitalmente em todo o país, tem margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Registrada no TSE sob o protocolo BR-07600/2026, a sondagem mostra uma piora na imagem de Lula e avanço do bolsonarismo, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se consolidando como o nome mais competitivo da direita.
Segundo turno: empate técnico entre Lula e Flávio, Tarcísio à frente
No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista marca 46,2%, contra 46,3% do senador – uma diferença de apenas 0,1 ponto, dentro da margem de erro, configurando empate técnico. Em janeiro, Lula vencia com 49,2% contra 44,9% de Flávio, o que representa uma perda significativa de vantagem em um mês.
Contra Tarcísio de Freitas, Lula aparece numericamente atrás: 45,9% para o presidente contra 47,1% do governador paulista. Apesar de ainda dentro da margem, o resultado reforça Tarcísio como o adversário mais forte testado contra Lula no campo da direita, com rejeição menor (35,5%) em comparação a Flávio (46,4%).
Outros cenários de segundo turno mostram Lula à frente de nomes como Romeu Zema (Novo-MG), com 46% contra 41,7%, mas o instituto destaca o avanço geral da oposição conservadora.
Primeiro turno: Lula mantém liderança, mas com vantagem reduzida
Nos cenários de primeiro turno testados, Lula segue na frente, mas com recuo perceptível:
– Em um dos principais cenários (com múltiplos nomes da direita), Lula aparece com cerca de 45% das intenções de voto, contra 37,9% de Flávio Bolsonaro em variações mais apertadas.
– A vantagem do petista caiu de até 13,8 pontos em janeiro para algo entre 5,6 e 7 pontos agora, dependendo do arranjo.
Nomes como Tarcísio, Ratinho Júnior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema aparecem com percentuais menores, indicando fragmentação na oposição. Brancos, nulos e indecisos somam parcela significativa, refletindo a fluidez do eleitorado a oito meses do pleito.
Avaliação do governo: desaprovação maior que aprovação
A pesquisa também mediu a percepção sobre o governo Lula: 51,5% desaprovam o desempenho pessoal do presidente, contra 46,6% que aprovam (1,8% não souberam). Na avaliação geral da gestão federal, 48,4% classificam como “ruim” ou “péssimo”, 42,7% como “ótimo” ou “bom” e 8,9% como “regular”. Os números indicam deterioração em relação a levantamentos anteriores, atribuída por analistas a temas como inflação de alimentos, segurança pública e polarização política.
Contexto político: sinal de alerta para o Planalto e oportunidade para a direita
A divulgação acende sinal amarelo no governo Lula, que vê sua vantagem encolher em um momento de reorganização da oposição. O bolsonarismo, representado por Flávio (herdeiro direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde 2025), ganha fôlego, enquanto Tarcísio emerge como “upgrade” moderado, com menor rejeição e apelo ao centro.
Especialistas destacam que simulações de segundo turno ainda são frágeis nesta fase, mas o recuo de Lula no primeiro turno e o avanço da direita sugerem uma eleição mais apertada do que o previsto em janeiro. A pesquisa reforça a polarização PT x bolsonarismo, com o Centrão (incluindo PSD, MDB e União Brasil) ainda em busca de protagonismo.
A AtlasIntel/Bloomberg, conhecida por metodologia digital e alta precisão em eleições passadas, confirma tendência de equilíbrio crescente. Com o calendário eleitoral se aproximando, partidos e pré-candidatos intensificam articulações: o PT aposta na recuperação econômica, enquanto a direita tenta unificar nomes para evitar dispersão de votos.
