MG: Rodrigo Pacheco sinaliza candidatura ao governo de Minas

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Por Duda Silva


Foto: Ricardo Stuckert / PR

O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) deu fortes indícios de que aceitará disputar o governo de Minas Gerais nas eleições de outubro de 2026, após intensas articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lideranças petistas confirmaram nesta sexta-feira (20) que Pacheco será o nome do campo governista no segundo maior colégio eleitoral do país, atendendo a um convite direto de Lula para unificar a base contra o governador Romeu Zema (Novo) e o bolsonarismo. No entanto, a presidente estadual do PT em Minas, deputada Leninha, negou que haja confirmação definitiva, afirmando que o senador ainda avalia o cenário e que “não há definição até o momento”.

A sinalização de Pacheco veio após reunião reservada com Lula no Palácio do Planalto, na última quarta-feira (11 de fevereiro), onde o presidente reiterou que o mineiro é seu “plano A” para o estado. Em conversas com aliados, Lula passou a tratar a candidatura como “praticamente certa”, destacando o perfil moderado e institucional de Pacheco – ex-presidente do Senado durante a transição de 2023 e figura chave na contenção de tentativas golpistas pós-2022 – como ideal para atrair o centro e evitar polarização extrema em Minas.

PT confirma, mas Pacheco mantém silêncio estratégico

Integrantes do PT mineiro, como o deputado Rogério Correia, classificaram Pacheco como “nome de confiança” do partido e afirmaram que ele aceitou o convite de Lula. A legenda vê na candidatura uma oportunidade de fortalecer o palanque nacional para a reeleição de Lula, especialmente em um estado onde o petismo tem base histórica, mas enfrenta desgaste recente. O PT mineiro destacou encontros recentes entre os dois, incluindo um antes do Carnaval, como sinal de construção conjunta.

Pacheco, porém, adota postura cautelosa. Aliados próximos revelaram que ele ainda não “tirou o pé” da disputa e avalia fatores como viabilidade eleitoral, alianças amplas e lições de 2018 – quando uma antecipação excessiva de candidatura gerou desgaste. O senador recusou convite para integrar comitiva oficial de Lula à Índia e Coreia do Sul, priorizando tempo familiar antes do calendário eleitoral intenso.

Mudança de partido: saída do PSD e negociações com MDB ou União Brasil

A filiação atual ao PSD complica a candidatura: Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla, filiou o vice-governador Mateus Simões (atual pré-candidato) e definiu o partido como palanque de Zema em Minas. Pacheco precisará migrar para outra legenda até março de 2026. As principais opções são o MDB (com conversas avançadas) ou o União Brasil, onde articulou saída da base de Zema recentemente. Convites do PSB também circulam, mas o foco é em uma sigla que permita aliança ampla – do PT ao PSDB, passando por centro-direita moderado.

Contexto eleitoral: desafio a Zema e fragmentação na direita

Minas Gerais será um dos estados mais disputados em 2026. Romeu Zema, reeleito em 2022 com ampla margem, é inelegível para terceiro mandato consecutivo, abrindo vácuo. O bolsonarismo tenta emplacar nomes como o senador Cleitinho Azevedo ou aliados de Flávio Bolsonaro, mas a direita enfrenta fragmentação. Pacheco surge como terceira via com apelo moderado, capaz de atrair evangélicos, ruralistas e eleitores cansados da polarização PT x Bolsonaro.

Pesquisas preliminares (ainda não consolidadas para 2026) indicam que Pacheco teria competitividade alta em Minas, especialmente com apoio petista e palanque nacional. Lula vê no mineiro a chance de conquistar o estado – historicamente decisivo para vitórias presidenciais – e evitar avanço conservador.

Enquanto o PT mineiro celebra o “nome forte”, o silêncio oficial de Pacheco mantém o suspense. Aliados afirmam que a definição virá nos próximos meses, após análise de cenários partidários e pesquisas internas. Com o prazo de filiações se aproximando, o tabuleiro mineiro ganha contornos nacionais: uma vitória de Pacheco em Minas poderia selar aliança estratégica para Lula em 2026.