Escândalo do Banco Master: Toffoli sai da relatoria no STF após pressão  

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Por Érico Haruo


Foto: Rosinei Coutinho/STF

Brasília – O caso do Banco Master, considerado o maior escândalo financeiro da história recente do Brasil, ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (12) com a decisão do ministro Dias Toffoli de deixar a relatoria das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Após uma reunião tensa com os demais ministros da Corte, convocada pelo presidente Edson Fachin, Toffoli solicitou a redistribuição do inquérito, que foi sorteado para o ministro André Mendonça. A saída ocorre em meio a fortes questionamentos sobre a imparcialidade de Toffoli, impulsionados por um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta menções ao ministro em mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado. 

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após indícios de fraudes bilionárias, supervalorização de ativos e crise de liquidez extrema – o conglomerado, com R$ 80 bilhões em ativos declarados, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa real. A Operação Compliance Zero da PF investiga crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo uso de fundos para ocultar prejuízos e tentativas de socorro via banco público (como o BRB, que tentou comprar a instituição antes do veto do BC). Vorcaro está preso desde novembro, e a crise já afetou mais de 1,6 milhão de clientes, com ressarcimentos via Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e impactos potenciais em cofres públicos. 

Revelações que precipitaram a crise no STF 

A gota d’água veio com um relatório da PF entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (9), destacando mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel discutindo pagamentos para a empresa Maridt – da qual Toffoli é sócio. As transações envolvem um resort familiar do ministro, vendido a fundo ligado a Vorcaro, e diálogos que sugerem pagamentos combinados. A PF também citou uma viagem de jatinho de Toffoli com advogado de Vorcaro, o que ampliou suspeitas de conflito de interesses. 

Toffoli assumiu o caso em dezembro de 2025, após pedido da defesa de Vorcaro para avocar as investigações ao STF – alegando conexões com parlamentar federal (que não se concretizaram). Ele impôs sigilo ao processo, restringiu acesso a provas e designou peritos da PF, decisões criticadas como incomuns e que geraram nulidades potenciais. A PF pediu suspeição do ministro, e o caso escalou para uma “guerra fria” institucional entre a Corte e a corporação, com vazamentos, contra-ataques e temores de ruptura. 

Decisão do STF: apoio a Toffoli, mas saída para preservar a instituição 

Na reunião de quinta-feira (12), os 10 ministros (excluindo Toffoli e Fachin do sorteio) rejeitaram por unanimidade a suspeição ou impedimento de Toffoli, validando todos os atos praticados sob sua relatoria para evitar anulação de provas e reinício das investigações. No entanto, acolheram o pedido do próprio ministro para redistribuição, com o objetivo de “preservar os altos interesses institucionais” do tribunal diante do desgaste. Nota conjunta reforçou apoio pessoal a Toffoli, mas reconheceu a necessidade de conter a crise de imagem. 

André Mendonça, sorteado como novo relator, assume todo o acervo. Especialistas preveem postura cautelosa: revisão da permanência do inquérito no STF (podendo devolvê-lo à primeira instância), levantamento parcial de sigilo e análise de provas apreendidas. Mendonça deve evitar decisões que pareçam “mea culpa” do tribunal, mas o caso pode perder o “dique de contenção” se sair do Supremo, abrindo caminho para investigações mais amplas em instâncias inferiores. 

Desdobramentos políticos e institucionais 

O escândalo já gerou pedido de impeachment contra Toffoli por senadores, questionamentos no TCU e Congresso (com CPMI do INSS desviando foco para o Master), e alertas de que o rombo bilionário pode recair sobre contribuintes via FGC ou perdas em fundos públicos. Há menções a impactos em outros ministros (como Alexandre de Moraes, por contrato de sua esposa com o banco) e até no entorno do governo Lula, com reuniões extra-agenda entre Vorcaro e autoridades. 

A crise ameaça a credibilidade do STF, com análises apontando risco de renúncia forçada de Toffoli caso novos indícios surjam, e comparações com a Lava Jato por potencial de “guerra de todos contra todos”. Enquanto Mendonça toma pé do processo, o caso Master segue como bomba-relógio: fraudes financeiras bilionárias, ligações políticas e agora uma crise no coração do Judiciário. O país acompanha os próximos passos, com o risco de mais revelações abalarem instituições em ano pré-eleitoral.