Rumores de aliança Tarcísio-Michelle para 2026 ganham força na direita

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Por Letícia Mendes


Foto: Reprodução

Brasília – Circulam nos bastidores políticos rumores de uma possível aliança entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) para a corrida presidencial de 2026. De acordo com aliados próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde novembro de 2025, o acordo envolveria Tarcísio como cabeça de chapa e Michelle na vice-presidência, uma condição imposta pelo próprio Bolsonaro para dar seu aval. Essa configuração poderia esvaziar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido inicialmente pelo pai como herdeiro político, e reacender divisões no bolsonarismo, com críticas internas e apelos por união.

Os boatos ganharam tração após publicações em redes sociais e declarações de figuras influentes da direita. Em outubro de 2025, aliados de Bolsonaro relataram à imprensa que o ex-presidente estaria disposto a apoiar Tarcísio, desde que Michelle integrasse a chapa para manter o sobrenome Bolsonaro na disputa e mobilizar a base evangélica e conservadora. A ideia visa unir partidos de centro e direita, com Tarcísio migrando para o PL até dezembro de 2025, mas enfrenta resistências: alguns aliados rejeitam Michelle como vice, e o governador paulista tem priorizado publicamente sua reeleição em São Paulo.

Tensões familiares: Carlos Bolsonaro ataca indiretamente, Flávio apela por união

A especulação sobre a chapa Tarcísio-Michelle provocou reações dentro da família Bolsonaro. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) postou mensagens enigmáticas sugerindo um “plano” para esvaziar o pai e inviabilizar Flávio, interpretadas como recados diretos a Michelle e Tarcísio por manterem distância da candidatura do senador. Em resposta, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo defendendo a união da direita, elogiando Michelle como alguém com “papel importantíssimo” e Tarcísio como “aliado fundamental”, e listando outros governadores como Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) para um “palanque único”. “Calma que isso vai acontecer no tempo certo”, afirmou Flávio, minimizando divisões e afirmando que não cobrará apoios.

Michelle, por sua vez, tem dado sinais ambíguos. Em janeiro, ela compartilhou um vídeo de Tarcísio criticando o governo Lula, logo após visitar Bolsonaro na prisão, o que intensificou cobranças por um posicionamento claro em favor de Flávio. A ex-primeira-dama endossou publicamente o senador, mas aliados veem nela uma preferência por uma aliança com Tarcísio, inclusive como vice para fortalecer a militância. A recente transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar na Papudinha é vista por entusiastas como uma “vitória” da dupla Michelle-Tarcísio, que atuaram nos bastidores pela medida, reavivando esperanças de reabilitar a candidatura do governador paulista.

Implicações para 2026: fragmentação na direita e estratégia petista

Se confirmada, a aliança Tarcísio-Michelle poderia unificar o eleitorado conservador, mas depende de negociações partidárias e da capacidade de Tarcísio de atrair o centro – algo que Flávio, segundo críticos, não consegue. Pesquisas recentes, como a Quaest/Genial de janeiro, mostram Lula na liderança, com Flávio em segundo e Tarcísio atrás, mas uma chapa com Michelle poderia mudar o jogo ao apelar para evangélicos e mulheres conservadoras. No PT, o rumor é visto como oportunidade para explorar divisões na oposição, com Lula apostando em uma reeleição ancorada na recuperação econômica.

Enquanto Tarcísio nega publicamente ambições presidenciais imediatas, e Michelle foca em seu mandato no Senado-DF, os rumores persistem como termômetro da sucessão bolsonarista. Aliados alertam que, sem união, a direita pode repetir o fracasso de 2022.).