Por Letícia Mendes

Em uma ação militar que abalou as relações internacionais, as forças armadas dos Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação realizada na madrugada de 3 de janeiro em Caracas. Batizada como “Operação Justa Causa”, a intervenção envolveu mais de 150 aeronaves americanas que desativaram as defesas aéreas venezuelanas, permitindo a entrada de forças especiais para o resgate forçado no Palácio de Miraflores. Maduro e Flores foram transportados para Nova York, onde enfrentam acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de armas pesadas, conforme indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA. A operação resultou em pelo menos 80 mortes, incluindo civis e membros das forças de segurança venezuelanas, segundo relatos oficiais de Caracas.
O presidente Donald Trump, em conferência de imprensa em Mar-a-Lago na Flórida, justificou a ação como uma “operação cirúrgica de aplicação da lei” contra “narcoterroristas”, afirmando que os EUA assumirão o controle temporário da Venezuela para reconstruir sua infraestrutura petrolífera decadente e garantir uma transição segura para autoridades locais. “Vamos gerenciar o país até que possamos entregá-lo de volta ao povo venezuelano, com liberdade e prosperidade financiada pelo petróleo”, declarou Trump, enfatizando que nenhuma tropa americana foi perdida na missão. A vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina em Caracas, prometendo resistência contra o que chamou de “agressão imperialista”.
Contexto: Tensões Acumuladas e Acusações de Narcotráfico
A intervenção ocorre em meio a anos de escalada entre Washington e Caracas. Desde 2020, os EUA acusam Maduro de liderar um cartel de drogas, com recompensas de US$ 15 milhões por sua captura. A tensão aumentou em 2025, com operações antinarcóticos americanas no Caribe que interceptaram embarcações venezuelanas e bloqueios a petroleiros sancionados. Relatórios da CIA, divulgados recentemente, revelam autorizações para ações secretas em solo venezuelano, incluindo um ataque de drone a um cais supostamente usado para tráfico em dezembro de 2025.
Analistas veem a operação como um teste aos limites da autoridade presidencial sobre o uso de força militar, sem aprovação congressional explícita, e um sinal de rejeição ao “construção de nações” – apesar das promessas de Trump de reconstruir o setor petrolífero venezuelano, que responde por 95% das exportações do país. A presença militar dos EUA na costa venezuelana, com navios de guerra e caças, deve permanecer como medida de pressão, segundo especialistas militares.
Reações Globais: Condenações e Alarmes sobre o Direito Internacional
A ação gerou condenações unânimes de aliados da Venezuela e preocupações generalizadas sobre violações ao direito internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, onde a Rússia e a China classificaram o ataque como “ato de guerra ilegal”. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que a operação “mina fundamentalmente o princípio da não-intervenção e a integridade territorial”, alertando para um risco mortal à accountability por vias pacíficas.
Na América Latina, líderes regionais ecoaram críticas. O presidente Lula (PT) publicou em sua conta no X que “os bombardeios no território venezuelano e a captura de seu presidente cruzam uma linha inaceitável”. Ele qualificou o ato como “uma grave afronta à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, chamando de “violação flagrante do direito internacional” e evocando “os piores momentos de interferência na política da América Latina e do Caribe”. Entretanto, Lula não mencionou em seu posicionamento os Estados Unidos, evitando conflito com os estadunidenses em meio as negociações para o fim do tarifaço.
Outros líderes, como os presidentes do México e da Colômbia, condenaram a intervenção como reminiscência do intervencionismo americano do século XX, enquanto a União Europeia pediu moderação, destacando implicações para a estabilidade global. Nos EUA, reações divididas: apoiadores de Trump celebram a “demonstração de força”, mas críticos questionam a legalidade e os custos potenciais.
