Por Érico Haruo

Brasília – Em meio a uma ofensiva para conter a inflação e reconquistar o apoio popular após derrotas republicanas em eleições recentes, o governo dos Estados Unidos sinalizou alívios tarifários sobre importações de café, bananas e outros produtos agrícolas nos próximos dias. O anúncio, adiantado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, beneficia diretamente o Brasil, maior fornecedor global de café para os americanos, e pode impulsionar embarques paralisados por uma taxa de 50% em vigor desde agosto. “Veremos grandes notícias sobre tarifas nos próximos dias”, prometeu Bessent em entrevista à Fox News, prevendo quedas rápidas nos preços ao consumidor.
A medida surge após o presidente Donald Trump, em entrevista na terça-feira (11) ao programa “The Ingraham Angle”, da Fox News, afirmar que os EUA reduzirão tarifas sobre importações de café, sem especificar origens, mas reiterando promessas feitas no final de outubro durante viagem à Ásia, com foco em produtores como Brasil e Vietnã. O café arábica, principal variedade exportada pelo Brasil, já reagiu: os preços na bolsa ICE caíram mais de 5% nesta quarta-feira, refletindo expectativas de maior fluxo comercial.
Contexto eleitoral: inflação como calcanhar de Aquiles de Trump
As declarações de Bessent e Trump ocorrem em um momento delicado para o Partido Republicano. Derrotas em Nova Jersey, Nova York e Virgínia na semana passada foram atribuídas, em parte, a preocupações com o custo de vida, com democratas explorando a inflação alimentada por tarifas protecionistas impostas pelo governo Trump. “Os norte-americanos verão anúncios substanciais nos próximos dias com o objetivo de reduzir os preços de produtos como café, bananas e outros itens não cultivados nos Estados Unidos”, explicou Bessent no programa “Fox & Friends”, enfatizando que os efeitos serão sentidos “muito rapidamente”.
Bessent destacou que os EUA importam a maioria das bananas de nações com mão de obra e terras mais baratas – apesar de produção limitada no Havaí e Flórida – e não cultivam café em escala comercial, tornando as tarifas uma barreira artificial ao consumo doméstico. A taxa de 50% sobre o café brasileiro, implementada em agosto, freou exportações para o maior mercado consumidor mundial, pressionando produtores sul-americanos e elevando custos nos supermercados americanos.
Impactos no Brasil: alívio para exportadores e cadeia produtiva
Para o Brasil, o alívio tarifário representa um respiro crucial. Como maior exportador de café para os EUA – responsável por cerca de 30% do consumo americano –, o país viu embarques caírem desde agosto devido à barreira de 50%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Analistas preveem que a redução possa elevar as exportações em até 20% no curto prazo, beneficiando estados como Minas Gerais e Espírito Santo, onde o café responde por bilhões em receitas anuais.
O Ministério da Agricultura brasileiro emitiu nota de boas-vindas preliminar, destacando que a medida “fortalece o comércio bilateral e combate a inflação global de alimentos”. No mercado, a queda de 5% no preço do arábica na ICE sinaliza otimismo, mas traders alertam para volatilidade até o anúncio formal.
