Por Rebecca Ferraz

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou hoje, (23), durante visita oficial à Indonésia, que disputará um quarto mandato nas eleições presidenciais de 2026. A declaração ocorreu em discurso ao lado do presidente indonésio, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, em Jacarta. Lula, que completará 80 anos em 27 de outubro, afirmou estar “com a mesma energia de quando tinha 30 anos” e preparado para o pleito, enfatizando o desejo de fortalecer laços bilaterais e atrair investimentos. A confirmação põe fim a especulações sobre sua saúde e sucessão, embora o petista tenha condicionado a candidatura a condições físicas em declarações anteriores.
Durante o encontro, os líderes assinaram acordos de cooperação em agricultura, mineração, energia, ciência, defesa e estatística, visando aprofundar relações comerciais. Lula destacou semelhanças nas posturas internacionais de Brasil e Indonésia, como a defesa do Sul Global, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e soluções diplomáticas para conflitos, incluindo a guerra em Gaza. A visita faz parte de uma agenda asiática que inclui a cúpula da Asean na Malásia, onde o presidente se reunirá com Donald Trump em 26 de outubro para discutir tarifas impostas pelos EUA ao Brasil e sanções contra autoridades brasileiras.
No PT, a notícia foi recebida com otimismo, mas com realismo sobre desafios. Lideranças do partido acreditam em chances de reeleição, mas descartam vitória no primeiro turno devido à polarização persistente, mesmo com uma direita fragmentada. Nomes como Eduardo Leite (PSD), Ratinho Júnior (PSD), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União Brasil) já sinalizaram intenções de concorrer, configurando um campo opositor diversificado.
A declaração de Lula contrasta com falas de 2022, quando negava planos de reeleição e focava em preparar o país para novos líderes. “Daqui a quatro anos, a gente vai ter gente nova disputando as eleições”, disse à rádio Metrópole. A mudança reflete a recuperação da popularidade do governo, com oscilações favoráveis em pesquisas recentes como a Quaest, e a ausência de quadros alternativos fortes no PT. Analistas veem o anúncio como estratégico para mobilizar a base e posicionar o petista como protagonista no debate sucessório. A agenda internacional de Lula prossegue com encontros chave, incluindo com o chinês Xi Jinping na Coreia do Sul. No Brasil, o anúncio já repercute em meio a debates sobre meta fiscal e gastos com Defesa, com o Senado aprovando projeto que exclui R$ 30 bilhões da meta nos próximos seis anos. Se reeleito, Lula assumiria aos 81 anos, marcando um feito inédito na história republicana brasileira.
