Ministério da Saúde atualiza diretrizes para atendimento de intoxicações por metanol

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Por Luciana Abreu


Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde

Brasília – O Ministério da Saúde enviou nesta semana uma nota técnica atualizada aos estados e municípios com orientações para o atendimento e a notificação de casos de intoxicação por metanol, decorrente do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O documento, que reforça a resposta nacional aos surtos recentes, atualiza os critérios de confirmação de casos, detalha o fluxo laboratorial e estabelece procedimentos para solicitação de insumos e notificações imediatas ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). A medida visa agilizar o diagnóstico e o tratamento, especialmente em um contexto de aumento de ocorrências em estados como São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro, onde foram reportados dezenas de casos suspeitos nos últimos meses. 

A principal novidade na nota técnica está na definição de casos. Agora, a confirmação com indicação de tratamento considera o histórico de ingestão de bebida alcoólica, o quadro clínico e achados laboratoriais compatíveis, como níveis elevados de metanol no sangue ou ácido fórmico. Para suspeitos, o período de persistência ou piora dos sintomas — entre seis e 72 horas após a ingestão — é critério chave, ampliando o escopo de vigilância. O texto também classifica casos confirmados (por exame laboratorial), descartados (exames negativos ou ausência de exposição) e em investigação, promovendo maior precisão e rapidez na resposta do SUS. 

O fluxo laboratorial é outro foco da atualização: cada estado deve definir o laboratório responsável, priorizando os Centros de Informações Toxicológicas (CIATox) ou os da Polícia Científica. Em localidades sem capacidade, as amostras seguem para o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) estadual e, em seguida, para o CIATox-Campinas. Até o momento, 21 estados já mapearam esses fluxos, e o Brasil conta com 32 CIATox para suporte técnico. A notificação imediata aos CIEVS estaduais é obrigatória, com repasse ao CIEVS Nacional via Disque-Notifica (0800-644-6645) ou e-Notifica (notifica@saude.gov.br), sem prejuízo do registro no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). 

Para reforçar o tratamento, o Ministério distribuiu 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol — compra inédita no país —, com 1,5 mil enviadas a estados afetados: São Paulo (288 unidades), Pernambuco (68), Paraná (84), Rio de Janeiro (120), entre outros, totalizando 11 unidades federativas. Além disso, mais de 1,4 mil unidades de etanol farmacêutico, outro antídoto essencial, foram alocadas para Acre, Alagoas, Bahia e mais oito estados. Mil ampolas de fomepizol permanecem no estoque estratégico nacional, garantindo abastecimento contínuo. 

Os sintomas de intoxicação por metanol podem ser iniciais, como sensação de embriaguez persistente, náuseas, vômitos e dor abdominal intensa, evoluindo para neurológicos, como dor de cabeça, tontura e confusão mental, especialmente com alterações visuais. O alerta do Ministério é claro: ao apresentar qualquer sinal após consumo de álcool, procure imediatamente um serviço de emergência. A nota técnica, disponível no site do Ministério, reforça a importância da vigilância integrada para prevenir óbitos e sequelas graves, como cegueira e coma, em um cenário de fiscalização aprimorada sobre bebidas irregulares.