Lula e Trump conversam e acenam para diálogo econômico

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Por Luciana Abreu


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasília – Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump mantiveram uma conversa por videoconferência na manhã de segunda-feira (6), com duração de 30 minutos, iniciada pelo lado americano. O diálogo, descrito como amistoso por fontes do Palácio do Planalto, focou principalmente em economia e comércio bilateral, com Lula solicitando a remoção da sobretaxa de 50% imposta a produtos brasileiros e das sanções contra autoridades nacionais, como o ministro do STF Alexandre de Moraes. Trump, em postagem na rede Truth Social, elogiou a ligação, afirmando: “Tive uma ótima conversa telefônica com o presidente Lula do Brasil. Discutimos muitas coisas, mas o foco principal foi na economia e no comércio entre nossos dois países. Teremos novas discussões e nos encontraremos em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Gostei da ligação — nossos países vão se dar muito bem juntos!”

Segundo nota oficial do Planalto, Lula destacou a oportunidade para restaurar as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente, lembrando que o Brasil é um dos três países do G20 com déficit comercial em bens e serviços com os EUA. Os líderes relembraram a “boa química” do encontro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde Trump mencionou uma interação positiva, apesar de problemas técnicos no evento. Durante a chamada, Trump observou estar “sentindo falta” de produtos brasileiros afetados pelas tarifas, citando especificamente o café, e designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar continuidade às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Fernando Haddad (Fazenda), além do assessor Celso Amorim.

Do lado brasileiro, a reação foi otimista. O vice-presidente Alckmin qualificou o diálogo como “muito positivo” e “melhor do que o esperado”, expressando confiança em avanços para uma relação “ganha-ganha” com investimentos recíprocos e resolução das tarifas. “Estamos muito otimistas que vamos avançar”, declarou Alckmin. Haddad também classificou a conversa como “positiva” do ponto de vista econômico. A chamada foi acompanhada por Alckmin, Vieira, Haddad, o ministro de Comunicação Social Sidônio Palmeira e Amorim, sinalizando a importância estratégica atribuída ao contato.

O encontro ocorre em meio a uma crise diplomática iniciada em julho de 2025, quando Trump anunciou as tarifas em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Trump qualificou o processo como “caça às bruxas” e uma “vergonha internacional”, ligando as sanções à defesa de Bolsonaro, seu aliado ideológico. Lula rebateu afirmando que o julgamento é competência exclusiva da Justiça brasileira, sem ingerência externa. As tarifas afetam o comércio bilateral, e o diálogo representa um aceno para desescalada, com ambos trocando números pessoais para comunicação direta.

Quanto a encontros futuros, os presidentes acordaram uma reunião presencial “em breve”, sem data definida. Lula propôs a Cúpula da ASEAN na Malásia, reiterou o convite para Trump participar da COP30 em Belém (PA) e se dispôs a viajar aos EUA. Trump não estabeleceu prazos, mas instruiu sua equipe a prosseguir com as tratativas.