Por Wagner Filho

Brasília – A posse da nova diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizada em 10 de setembro de 2025, representou um marco para a instituição, com a nomeação de Leandro Safatle como diretor-presidente, Daniela Marreco na 3ª Diretoria e Thiago Campos na 5ª Diretoria. Em seu discurso inicial, Safatle destacou a importância global da Anvisa, afirmando que ela é “uma das mais importantes do país e respeitada no mundo todo”. Ele agradeceu ao presidente Lula (PT), ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), à ex-ministra Nísia Trindade e à senadora Mara Gabrilli (PSD/SP), que apresentou o relatório de sua indicação durante as sabatinas. Safatle relembrou sua trajetória na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), na Fiocruz e no Complexo Industrial da Saúde, enfatizando seu compromisso com os servidores e o fortalecimento da autoestima profissional.
Safatle ainda reforçou que a Anvisa já enfrentou grandes desafios e está preparada para os atuais e futuros, com ênfase nos avanços tecnológicos sem precedentes. Ele comprometeu-se a preparar a indústria nacional para um “salto tecnológico”, mantendo a excelência técnica como princípio guia. Entre os principais compromissos listados, estão enfrentar as filas da Anvisa com mais agilidade e rigor técnico, recompor a força de trabalho, reduzir os tempos de análise, recolocar a ciência no centro das decisões, retomar o Conselho Consultivo e reforçar a autonomia e a credibilidade da agência. “Meu empenho será total para lidar com os desafios”, declarou Safatle, sinalizando uma gestão focada em eficiência e inovação.
Daniela Marreco, assumindo a 3ª Diretoria, destacou em seu discurso a importância de a Anvisa atuar como “uma ponte para o desenvolvimento social e econômico do país”. Com 19 anos de trajetória ininterrupta na agência, ela ressaltou a necessidade de agências reguladoras serem inteligentes e ágeis, promovendo um ambiente regulatório “claro, transparente e previsível” para estimular a inovação e o crescimento sustentável. Marreco reforçou o compromisso com o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), visto como um pilar estratégico para a soberania nacional, e expressou a responsabilidade de assumir o cargo em um momento de transformação para a Anvisa.
Thiago Campos, novo diretor da 5ª Diretoria, elogiou o corpo técnico da Anvisa como fundamental para sua relevância institucional. Ele agradeceu ao presidente Lula (PT), a quem chamou de “maior liderança política do nosso tempo”, ao ministro Padilha (PT) por abrir o espaço para sua nomeação, ao ministro Fernando Haddad (PT) e ao senador Jaques Wagner (PT/BA), que teve um papel decisivo. Campos, honrando suas origens baianas, enfatizou o desafio permanente da luta contra o racismo, notando que, após quase três décadas, um homem negro volta a assumir tal cargo. “O povo negro continua sendo ignorado no país”, afirmou, comprometendo-se a garantir que a agência atue pela igualdade e pelo cuidado com a saúde de toda a população, priorizando o diálogo com a sociedade e a escuta atenta às demandas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), em seu discurso, destacou iniciativas da pasta e o compromisso em ampliar o quadro da Anvisa, sendo esta sua primeira oportunidade de discursar na agência. Ele reconheceu o trabalho dos técnicos e reforçou o compromisso do presidente Lula (PT) em recompor profissionais para construir o futuro. Padilha mencionou a reunião da Comissão Mista da MP 1301/2025, relatada pelo senador Otto Alencar (PSD/BA), visando reestruturar a Anvisa com 350 novos servidores. Ele também apontou a parceria com a agência reguladora do México, facilitada pela viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), criticando o isolacionismo, e elogiou o novo Marco Legal de Pesquisa Clínica (Lei 14.874/2024) como avanço tecnológico.
A posse reflete uma estratégia governamental para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e o CEIS, com impacto na saúde pública e na indústria. Os novos diretores, alinhados aos princípios de inclusão, inovação e soberania, prometem uma gestão que priorize a ciência e o diálogo, posicionando a Anvisa como protagonista no desenvolvimento sanitário nacional.
