Ministro Padilha manifesta apoio a farmácias em supermercados

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Por Chico Castro


Foto:  Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Brasília – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), manifestou apoio à proposta que permite a instalação de farmácias completas dentro de supermercados no Brasil, conforme vídeo divulgado nesta segunda-feira (18). A iniciativa, que tramita no Senado, prevê a criação de drogarias estruturadas com áreas exclusivas e supervisão obrigatória de farmacêuticos, possibilitando a venda de todos os tipos de medicamentos, incluindo aqueles que exigem prescrição médica. Padilha destacou que a medida, ao seguir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), amplia o acesso da população a medicamentos, especialmente em regiões com escassez de farmácias tradicionais.

A proposta, reformulada após críticas iniciais do setor farmacêutico, ganhou força com o respaldo do ministro e da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que pressiona por uma votação acelerada no Senado. Atualmente, farmácias em hipermercados operam de forma independente, mas, se aprovado, o projeto permitirá que supermercados integrem drogarias completas em suas lojas, seguindo o modelo “store-in-store” adotado em países como os Estados Unidos. A Abras argumenta que a iniciativa pode reduzir preços e facilitar o acesso a medicamentos, enquanto críticos, como a Associação Brasileira de Farmácias (Abrafarma), alertam para possíveis impactos na segurança do consumidor e na sustentabilidade das farmácias tradicionais.

O debate reacende a tensão entre os setores de varejo alimentar e farmacêutico, que já protagonizaram embates públicos em 2025. Um relatório da Itaú BBA estima que a liberação das vendas de medicamentos em supermercados pode afetar até 15% da receita de grandes redes de farmácias, como Raia Drogasil e Pague Menos. Representantes do setor farmacêutico já se reuniram com Padilha, então ministro de Relações Institucionais, para expressar preocupações com a proposta, temendo perdas de margem e aumento nos preços de medicamentos sob prescrição. Abras, por sua vez, nega que a intenção inicial fosse vender medicamentos em prateleiras abertas, reforçando a necessidade de áreas exclusivas e regulamentadas.

Com o apoio explícito de Padilha, a proposta ganhou impulso político, mas enfrenta resistência no Congresso. A votação, prevista para análise na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, ainda não tem data definida. Enquanto defensores destacam o potencial de democratização do acesso à saúde, opositores cobram maior diálogo para garantir a segurança sanitária e evitar a precarização do setor farmacêutico. O desfecho da proposta pode redefinir o mercado de medicamentos no Brasil, com impactos diretos na saúde pública e na economia do varejo.