Por Wagner Filho

Brasília – O programa Mais Médicos, criado em 2013 para ampliar o acesso à saúde em áreas remotas e vulneráveis do Brasil, voltou ao centro das atenções em agosto de 2025 devido a sanções impostas pelos Estados Unidos, que acusam o programa de facilitar um esquema de “trabalho forçado” envolvendo médicos cubanos. Em 13 de agosto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a revogação de vistos de dois brasileiros ligados ao programa: Mozart Júlio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-oficial do Ministério da Saúde, hoje consultor da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). A medida, que também atinge ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), foi justificada pela suposta exploração de médicos cubanos, com parte de seus salários retida pelo governo de Havana, segundo os EUA. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu o programa, destacando que ele “salva vidas” e que, atualmente, os médicos cubanos recebem salários integrais diretamente do governo brasileiro.
Em resposta às sanções, o governo brasileiro reafirmou o compromisso com o Mais Médicos, que hoje conta com 26.468 profissionais, incluindo 2.659 cubanos, atendendo 81,6% dos municípios do país. O programa, retomado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prioriza médicos brasileiros, mas mantém parcerias internacionais para preencher vagas em áreas de difícil acesso, como comunidades indígenas e periferias urbanas. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2013 e 2015, a cobertura da Atenção Primária cresceu de 10,8% para 24,6% nos municípios participantes, beneficiando mais de 63 milhões de brasileiros. Recentemente, o programa abriu 3,064 vagas, com 45,792 inscritos, sendo 93% brasileiros, demonstrando alta adesão e expansão contínua.
As críticas dos EUA reacenderam debates sobre a participação cubana, que já foi alvo de controvérsias no passado. Entre 2013 e 2018, cerca de 20 mil médicos cubanos atuaram no Brasil, mas o convênio com Cuba foi rompido em 2018 após exigências do então presidente Jair Bolsonaro, como a revalidação de diplomas e pagamento integral de salários. Com a retomada em 2023, o programa ajustou o modelo, garantindo que os 2,659 cubanos atualmente ativos – 10% do total de profissionais – trabalhem sob as mesmas condições que os brasileiros. O ministro Padilha destacou que o programa é apoiado pela população e sobreviverá a “ataques infundados”.
Apesar do sucesso na ampliação do acesso à saúde, desafios persistem. O governo planeja expandir o Mais Médicos para 28 mil profissionais até o fim de 2025, com foco em áreas vulneráveis, enquanto enfrenta pressões internacionais e internas. Além disso, a saída de 13,303 médicos de Cuba em 2023, conforme dados oficiais, levanta preocupações sobre a sustentabilidade do envio de profissionais cubanos ao exterior, impactando o programa.
