Por Wagner Filho

Brasília – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de seu Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), anunciou dois acordos com a farmacêutica brasileira EMS para a produção nacional de medicamentos à base de liraglutida e semaglutida, princípios ativos de canetas emagrecedoras como Saxenda, Victoza, Ozempic e Wegovy. A parceria, formalizada durante o Fórum Saúde em Brasília, visa transferir a tecnologia de síntese do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e do medicamento final para a Fiocruz, marcando um avanço histórico para a indústria farmacêutica brasileira. Os medicamentos, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, serão inicialmente produzidos na fábrica da EMS em Hortolândia (SP), com transferência gradual para o Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, no Rio de Janeiro.
Os acordos representam um marco na redução da dependência de importações e na ampliação do acesso a esses medicamentos, que são altamente eficazes e inovadores, segundo nota conjunta da Fiocruz e EMS. A liraglutida, presente em medicamentos como Olire (obesidade) e Lirux (diabetes), e a semaglutida, usada em Ozempic e Wegovy, pertencem à classe dos análogos de GLP-1, que promovem saciedade e controle glicêmico. O presidente da EMS, Carlos Sanchez, destacou que a parceria reafirma o compromisso com a inovação, enquanto a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, enfatizou que a iniciativa diversifica o portfólio da instituição e fortalece o Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
A produção nacional, que começou com o lançamento do Olire pela EMS, tem potencial para baratear os custos das canetas emagrecedoras, cujo preço inicial é de R$ 307,26 (uma unidade) e R$ 760,61 (kit com três). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), presente no evento, indicou que a fabricação local pode facilitar a incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para pacientes com obesidade grave ou na fila de cirurgias bariátricas, desde que aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A patente da liraglutida expirou em 2023, e a da semaglutida termina em março de 2026, abrindo espaço para versões genéricas. A iniciativa também responde a preocupações regulatórias. Desde junho de 2025, a Anvisa exige a retenção de receitas para canetas emagrecedoras devido ao uso indiscriminado e ao risco de eventos adversos. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apoia a medida, destacando que a automedicação expõe a população a riscos desnecessários. Com a produção nacional, a Fiocruz e a EMS buscam garantir maior controle e acesso seguro a esses medicamentos, fortalecendo a saúde pública e a indústria farmacêutica brasileira, com impactos positivos esperados tanto no SUS quanto no mercado interno.
