Senado: comitiva tenta negociação em Washington

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Por Paula Silva


Senadores brasileiros em agenda com o senador democrata Ed. Markey. Créditos: Nelsinho Trad/Flickr

Brasília – Uma comitiva de oito senadores brasileiros, liderada por Nelsinho Trad (PSD-MS), desembarcou em Washington, D.C., para negociar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com início previsto para 1º de agosto de 2025. A missão, que reúne parlamentares de diversos partidos, incluindo Tereza Cristina (PP-MS), Jaques Wagner (PT-BA), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Carvalho (PT-SE), Carlos Viana (Podemos-MG), Fernando Farias (MDB-AL) e Esperidião Amin (PP-SC), busca reabrir canais de diálogo com parlamentares e empresários americanos para mitigar os impactos da medida, que ameaça setores como agronegócio, indústria e aviação, com risco de demissões e perdas econômicas significativas.

A agenda da comitiva começou oficialmente na segunda-feira (28), com reuniões na embaixada brasileira, onde os senadores se encontraram com a embaixadora Maria Luiza Viotti, representantes do Itamaraty e o ex-diretor da OMC, Roberto Azevêdo. À tarde, o grupo participou de encontros na Câmara Americana de Comércio com lideranças empresariais do Brazil-U.S. Business Council, visando articular uma carta-manifesto para pressionar pelo adiamento ou redução da tarifa. Nesta terça-feira (29), estão previstos compromissos com pelo menos seis parlamentares americanos dos partidos Republicano e Democrata, embora não haja reuniões confirmadas com o alto escalão do governo Trump, que tem resistido ao diálogo direto com o Brasil.

A tarifa de 50%, a mais alta entre as impostas por Trump a 26 países e à União Europeia, foi justificada por ele com argumentos comerciais e políticos, incluindo críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dados do governo brasileiro e da Amcham contestam a alegação de déficit comercial, apontando um superávit de US$ 1,7 bilhão dos EUA no primeiro semestre de 2025. A comitiva brasileira adota uma abordagem pragmática, destacando os impactos negativos da tarifa para ambos os países, como aumento de preços nos EUA e perdas de empregos no Brasil. Senadores democratas americanos, em carta a Trump, acusaram a medida de “abuso de poder”, reforçando a pressão por negociações.

Apesar do caráter suprapartidário e da mobilização do Senado, que aprovou a missão por unanimidade, as negociações enfrentam desafios. O governo Trump não autorizou canais diretos com o Brasil, e o presidente está em viagem oficial na Escócia. O senador Nelsinho Trad enfatizou que a missão busca “construir pontes” e não espera soluções imediatas, mas um diálogo equilibrado para proteger os interesses nacionais. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que lidera esforços diplomáticos, relatou dificuldades em dialogar com a Casa Branca, enquanto setores como café e mineração buscam apoio de empresas americanas para evitar a tarifa, que pode elevar custos para consumidores e comprometer cadeias produtivas.ão da produtos que podem comprometer a segurança dos consumidores.