Governadores preparam seu estados para os impactos do tarifaço de Donald Trump

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Por Paula Silva


Foto: governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Renato Casagrande (ES), e ministro Fernando Haddad. Créditos: Júnior Guimarães/Agência Cora Coralina.

Governadores de pelo menos quatro estados brasileiros – Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo – anunciaram medidas para mitigar os impactos das tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto de 2025. A rápida resposta estadual reflete a preocupação com os setores exportadores, especialmente o agronegócio e a indústria, em estados que juntos representam significativa parcela das exportações nacionais para os EUA. Enquanto o governo federal ainda elabora suas ações, as gestões estaduais já lançaram linhas de crédito, comitês de análise e articulações com o setor produtivo para proteger empregos e a economia local.

Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (União) anunciou uma linha de crédito com juros abaixo de 10% ao ano, estruturada por um fundo garantidor de R$ 628 milhões em créditos de ICMS, sem aporte direto de recursos públicos. A medida, voltada principalmente para o setor agroindustrial, exige a manutenção de empregos como contrapartida e inclui um fundo de garantia para pequenos e médios empresários. Já em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) lançou uma linha de R$ 200 milhões com taxas a partir de 0,27% ao mês + IPCA, prazo de até 60 meses e carência de até 12 meses, visando apoiar exportadores do estado que lidera as vendas aos EUA, com US$ 13,6 bilhões em 2024.

No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) criou um comitê coordenado pelo vice-governador Ricardo Ferraço para avaliar o impacto das tarifas, que afetam setores como aço, café e rochas ornamentais, responsáveis por 33% das exportações capixabas aos EUA no primeiro semestre de 2025. O comitê estuda o uso do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) para linhas de crédito e incentivos tributários, além de articular com empresários americanos para pressionar contra as tarifas. No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) formou um grupo de trabalho para propor ações que “atenuem o tarifaço”, com foco em proteger a economia fluminense, que exportou US$ 7,2 bilhões aos EUA em 2024.

A ausência de medidas concretas do governo federal, que ainda prepara propostas sob a liderança do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB), tem pressionado os estados a agirem de forma autônoma. Casagrande, aliado de Lula, destacou a importância de uma articulação conjunta com o governo federal, incluindo uma possível reunião do Fórum dos Governadores. As iniciativas estaduais, entretanto, enfrentam o desafio de compensar os impactos de uma decisão política internacional, enquanto buscam manter o equilíbrio fiscal e proteger empregos em setores estratégicos. A articulação com o setor produtivo americano, como no caso do Espírito Santo, pode ser uma alternativa inovadora, mas o sucesso dependerá de negociações mais amplas e coordenadas.