Por Paula Abritta

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou oficialmente sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026. O lançamento está marcado para o dia 16 de agosto, em um evento organizado pelo Partido Novo em São Paulo, que espera reunir cerca de 1.500 pessoas, incluindo lideranças políticas e figuras da direita brasileira. A iniciativa visa posicionar Zema como uma alternativa no campo conservador, especialmente em um cenário em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece inelegível até 2030, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O evento na capital paulista, maior colégio eleitoral do país, é um marco estratégico para ampliar a projeção nacional de Zema, que tem se destacado por sua gestão em Minas Gerais, onde foi reeleito no primeiro turno em 2022. O governador, que já se posiciona como uma voz crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pretende centrar sua pré-campanha em pautas como segurança pública, combate à corrupção, austeridade fiscal e defesa de valores cristãos. Para isso, o Novo contratou o marqueteiro Renato Pereira desde abril para reforçar a imagem de Zema no cenário nacional.
Zema tem se aproximado do eleitorado bolsonarista, embora busque construir um discurso de “terceira via” dentro da direita, evitando uma dependência direta do ex-presidente. Jair Bolsonaro foi convidado para o evento de lançamento, mas, devido a medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o proíbem de deixar Brasília aos finais de semana, sua participação, se confirmada, será apenas por videoconferência. A estratégia de Zema inclui manter diálogo com Bolsonaro, mas também sinalizar independência, como demonstrado em críticas à taxação de produtos brasileiros pelo presidente americano Donald Trump, que Zema classificou como “errada e injusta”.
A pré-candidatura de Zema enfrenta desafios em um cenário competitivo à direita, com nomes como os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) também cotados para 2026. Apesar disso, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, destaca a força de Zema em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, e sua gestão bem avaliada, com 65% de aprovação segundo pesquisa do Instituto Paraná em abril de 2025. Contudo, pesquisas como a Genial/Quaest indicam que Zema teria 31% dos votos em um segundo turno contra 43% de Lula, sugerindo que sua viabilidade nacional ainda precisa ser consolidada.
O governador mineiro tem intensificado agendas pelo Brasil, visitando estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, além de uma recente viagem a El Salvador, onde estudou políticas de segurança pública do presidente Nayib Bukele. Zema defende medidas duras contra o crime organizado, como MBa classificação de facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que reforça sua pauta de segurança. No entanto, dados do Atlas da Violência 2025 apontam alta de 8,4% nos homicídios em Minas Gerais entre 2021 e 2023, o que pode ser explorado por adversários como um ponto fraco. O lançamento da pré-candidatura de Zema é um passo crucial para o Partido Novo, que busca se manter relevante em um cenário político polarizado. Apesar de seu capital político ter sido abalado por derrotas em eleições municipais de 2024, como em Belo Horizonte, onde candidatos apoiados por ele não venceram, Zema aposta na narrativa de renovação e gestão eficiente para atrair eleitores. A disputa pela liderança da direita em 2026, no entanto, dependerá de sua capacidade de unificar apoios e superar a concorrência em um campo fragmentado.
