Por Victor Carvalho

A aliança entre PT e PSD na Bahia, que sustenta a hegemonia petista no estado desde as gestões de Jaques Wagner e Rui Costa, enfrenta sinais de um possível racha com a aproximação das eleições de 2026. A parceria, que garantiu a eleição de Jerônimo Rodrigues (PT) em 2022 com o apoio do senador Otto Alencar (PSD), é marcada por tensões crescentes, especialmente pela disputa por espaço político e pela vaga ao Senado que se abrirá com o fim do mandato de Ângelo Coronel (PSD). O atrito se intensifica à medida que o PSD busca maior protagonismo, enquanto o PT resiste a ceder terreno, temendo perder o controle do maior colégio eleitoral do Nordeste.
O PSD, sob a liderança de Otto Alencar e com articulação nacional de Gilberto Kassab, consolidou-se como uma potência na Bahia, elegendo 115 prefeitos em 2024, superando o PT, que conquistou 50. Essa força local alimenta a ambição do PSD de liderar a chapa majoritária em 2026, com especulações de que Otto Alencar poderia concorrer ao governo ou apoiar um nome do partido, como o próprio Ângelo Coronel, para a reeleição ao Senado. A postura pragmática do PSD, que historicamente oscila entre alianças com o PT e outras forças, como o PL, aumenta a incerteza sobre a manutenção da coalizão.
O PT, por sua vez, busca preservar a unidade da base aliada para garantir a reeleição de Jerônimo Rodrigues. Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, evitou comentar sobre a formação de uma chapa com o PSD para 2026, enfatizando, em entrevista ao Bahia.ba, a necessidade de focar em entregas do governo. A resistência petista em abrir espaço reflete a importância estratégica da Bahia, onde o partido governa desde 2007. No entanto, a disputa pelo Senado, com o PT pleiteando a vaga hoje ocupada pelo PSD, é um ponto de fricção que pode escalar, especialmente após o MDB, outro aliado, sinalizar interesse na mesma posição.
O desfecho dessa tensão dependerá das negociações nos próximos meses, com o PSD sendo apontado como o “fiel da balança” na política baiana. Um racha poderia fragmentar a base governista, beneficiando a oposição, que inclui o PL e partidos alinhados ao bolsonarismo, em ascensão no interior. A habilidade de Jerônimo Rodrigues e Rui Costa em manter a coesão com Otto Alencar e Kassab será crucial para evitar a ruptura e preservar o domínio petista na Bahia.
