SP: corrida disputada pelo apoio de Tarcísio em 2026

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Por Victor Carvalho


Foto: divulgação/Ascom SP

À medida que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desponta como um potencial candidato à Presidência da República em 2026, intensifica-se a disputa por sua herança política no estado. Com uma gestão aprovada por 61% dos paulistas, segundo pesquisa Quaest de fevereiro de 2025, Freitas se consolida como uma figura central na direita, alimentando especulações sobre sua possível saída do Palácio dos Bandeirantes para concorrer ao Planalto. Esse cenário abre uma corrida entre aliados próximos, que buscam capitalizar sua popularidade e o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para sucederem-no no governo estadual.  

Ricardo Nunes (MDB), prefeito reeleito de São Paulo em 2024 com apoio do governador, se apresenta com um nome de peso. Seu desempenho no segundo turno (59,35% dos votos válidos) mostra capilaridade na capital, mas sua penetração no interior é incerta, o que pode limitar suas chances. A relação com Bolsonaro, abalada durante a campanha municipal, é um obstáculo, embora Nunes venha investindo em pautas estaduais, como segurança pública, para se projetar como sucessor natural de Tarcísio.  

Diferente do prefeito, o vice-governador Felício Ramuth (PSD), tem a vantagem de que assumiria o governo interinamente em caso de renúncia de Freitas. Apesar de adotar um discurso mais alinhado ao bolsonarismo recentemente, sua experiência como prefeito de São José dos Campos e um perfil técnico, sua guinada tática para conquistar eleitores de centro-direita não garante apoio sólido do núcleo bolsonarista, o oposto do que poderia acontecer com Guilherme Derrite. Atual secretário de Segurança Pública e recém filiado ao PP, em um evento com forte peso político, sua proximidade com o governador e o alinhamento com a direita bolsonarista o mantêm no radar, especialmente para uma possível candidatura ao Senado, conforme apontado por aliados. Entretanto, o secretário enfrenta desafios devido a polêmicas em sua gestão, como casos de violência policial, o que prejudica sua imagem com eleitores paulistanos. 

Com o deputado André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, surge um forte concorrente, especialmente por sua influência no interior e boa relação com Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Aliados de Prado articulam uma manobra para que ele assuma interinamente o governo caso Tarcísio renuncie, o que lhe daria maior exposição e controle da máquina pública. Sua participação em propagandas do PL ao lado de Tarcísio reforça essa estratégia, mas a resistência do vice-governador Felício Ramuth a abrir mão de seu posto pode complicar o plano.  

Por fim, tudo dependerá da decisão de Tarcísio, que ainda mantém o discurso de reeleição. Caso realmente opte pelo Planalto, a escolha de seu apoiado irá redefinir as alianças políticas em nível nacional tanto quanto no subnacional.