Trump dobra tarifas sobre aço e alumínio

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Por Leon Norking


Créditos: Unsplash

Donald Trump anunciou que dobrará as tarifas de importação sobre aço e alumínio, chegando a 50%, a partir desta quarta-feira (4). Desde março, os Estados Unidos aplicam tarifas de 25% sobre o setor, sob a justificativa de proteger a soberania nacional e a força da economia estadunidense. Agora, o presidente Trump decide pela nova elevação, alegando prejuízos a indústria americana por práticas comerciais desleais e excesso da capacidade produtiva global.

O Brasil será um dos países diretamente afetados pelo aumento tarifário. Como a medida do governo também inclui derivados de aço e alumínio, os materiais intermediários da siderurgia, principais produtos enviados pelo Brasil aos Estados Unidos, sofrem os impactos das sobretaxas. Entre estes, estão incluídas as matérias-primas para fabricação de perfis, tubos, chapas, entre outros.

O único país não afetado pela nova medida é o Reino Unido, sobre o qual permanecerá aplicada a taxa de 25%. A exceção se deve ao fato de que o país tem avançado nas negociações tarifárias com o governo norte-americano, através do Acordo de Prosperidade Econômica assinado em 8 de maio. O benefício pode ruir caso as resoluções das tratativas, previstas para o início do mês de julho, não sejam bem-sucedidas.

O abrupto aumento tarifário anunciado representa a pressa de Trump pela aceleração das negociações com outros países no que diz respeito às tarifas recíprocas aplicadas no dia 9 de abril. O republicano busca tensionar os termos de negociação para lograr novas conceções comerciais aos Estados Unidos. A exceção concedida ao Reino Unido evidencia essa dinâmica. Nesse sentido, a tendência é que as negociações bilaterais se intensifiquem e tragam resultados mais rápidos.

O Brasil deve ser um dos protagonistas na intensificação das negociações, dados os impactos diretos que o aumento das taxas terá na indústria nacional. Enquanto segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, a indústria brasileira deve observar uma importante diminuição da demanda estadunidense, o que exige que o Brasil diversifique seu fornecimento para outros mercados e explore mais amplamente o próprio mercado. Apesar da possibilidade de absorção da demanda, a medida não deixa de ameaçar a competitividade e geração de empregos no setor siderúrgico nacional. Nesse sentido, espera-se que o governo brasileiro priorize o setor nas negociações com os representantes estadunidenses. Vale ainda mencionar a preocupação do setor nacional com a possibilidade de aumento da oferta no mercado nacional, pressionando as margens de lucro e apresentando a tendência de redução de preço.

Além da reação internacional, Trump deve enfrentar contestações internas. Na última semana, o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA concluiu que as tarifas recíprocas aplicadas pelo presidente extrapolam a autoridade presidencial e deveriam ser derrubadas. A decisão foi suspensa dias depois por um tribunal de apelações norte-americano. Assim, apesar das determinações, a medida jurídica não exerceu nenhum efeito prático sobre a política comercial do presidente.

Ainda internamente, os insumos intermediários essenciais para que o setor siderúrgico estadunidense opere efetivamente, o que gera um impasse político para a administração do governo. Passados dois meses desde o início da aplicação das tarifas recíprocas, hoje reduzidas a 10%, a economia americana se vê mais pressionada e efeitos inflacionários impõem a necessidade de resolução célere das negociações bilaterais, o que tem refletido nos posicionamentos do governo estadunidense.