Lula viaja à França com foco em acordos e agenda ambiental

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Por Jofa Passos


Créditos: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcará em uma agenda internacional na França entre os dias 4 e 9 de junho. Durante a viagem, Lula visitará não apenas Paris, mas também as cidades de Toulon, Lyon e Marselha, além do principado de Mônaco. Os principais tópicos a serem discutidos nas reuniões com o presidente Emmanuel Macron e outras autoridades incluem a ampliação da cooperação estratégica entre Brasil e França e preparativos para a COP30, que será realizada em Belém.

O Itamaraty prevê a realização de pelo menos 20 entregas durante a visita, que incluirão acordos, declarações e memorandos, abrangendo temas diversos como tecnologia, educação e saúde. A defesa deve ser um foco importante, especialmente considerando a visita à base naval da Marinha Francesa em Toulon.

Politicamente, Lula e Macron encaram a política internacional como um cartão postal de suas administrações em meio a desafiadores cenários domésticos. Ambos apostam em agendas de cooperação e sustentabilidade para fortalecer a imagem internacional de seus governos. Apesar de discordâncias sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, existe a possibilidade de que o tema seja discutido.

A questão ambiental está no centro da visita, mesmo que coincida com a recente aprovação no Senado do Projeto de Lei de Licenciamento Ambiental, cujos desdobramentos provavelmente não impactarão a viagem. A expectativa é de que os dois governos emitam uma nova declaração sobre mudanças climáticas, e Lula deverá participar de eventos relacionados, como a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, em Nice.

Os encontros com representantes do setor produtivo poderão resultar em anúncios de investimentos e parcerias público-privadas voltadas à economia verde. Entretanto, a viagem ocorre em um momento em que Lula enfrenta desafios políticos internos, com a divulgação de uma nova pesquisa de popularidade prevista para esta semana e a expectativa de uma queda nos índices devido à crise no INSS.

Ao retornar, Lula deverá lidar com a pressão para avançar com prioridades no Congresso, já que o semestre legislativo se aproxima do fim. Além disso, o prazo para que o Ministério da Fazenda encontre uma solução sobre o IOF, um tema levantado por Hugo Motta (Republicanos/PB), também se encerrará durante a viagem, o que pode intensificar a pressão política ao seu retorno.