Por Matheus Augusto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), assinou nessa quarta-feira (2) a Executive Order de 2 de Abril de 2025, que prevê a elevação linear do imposto de importação a 10% para a maioria dos produtos e países, incluindo o Brasil. A medida se aplica a países que os Estados Unidos consideram responsáveis pela maior parte de seu déficit comercial, como China (34%), União Europeia (20%), Índia (26%) e Japão (24%). Todos os demais países do MERCOSUL também foram citados, mantendo a base de 10%. Importante destacar que a nova tarifa se somará às tarifas já existentes.
A tarifa linear de 10% entrará em vigor a partir do dia 5 de abril, enquanto tarifas específicas para algumas origens entrarão em vigor no dia 9 do mesmo mês. Trump definiu o dia 2 de abril como o “dia da libertação americana”, marcando o anúncio de tarifas recíprocas, previstas desde fevereiro pelo “Plano Justo e Recíproco”. O objetivo da legislação é readequar o comércio exterior do país com impostos de importação que sejam equivalentes aos aplicados às suas próprias exportações.
O governo norte-americano afirma que as tarifas de reciprocidade visam reafirmar a soberania dos Estados Unidos e valorizar a indústria doméstica. Em 2018, ao implementar medidas semelhantes para o aço e alumínio, Trump concedeu algumas cotas de importação a nações aliadas. Neste contexto, existe a possibilidade de renegociar individualmente a situação de cada país, embora a flexibilidade de Trump em seu segundo mandato seja considerada limitada.
O governo brasileiro está em negociações diretas com a administração Trump para evitar a taxação de suas exportações, com conversas entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio Howard Lutnick, além de discussões lideradas pelo Itamaraty e seu ministro Mauro Vieira. O presidente Lula da Silva (PT) indicou que medidas mais enérgicas, como levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e taxar produtos norte-americanos em retaliação, só devem ocorrer após a articulação por um livre comércio com os Estados Unidos.
O Itamaraty emitiu um comunicado oficial, afirmando que a nova medida “não reflete a realidade” e se comprometeu a proteger os interesses das empresas brasileiras. Apesar disso, Brasil e Estados Unidos devem se reunir novamente na próxima semana, conforme confirmado pelo Representante de Comércio dos EUA (USRT), Jamieson Greer.
A elevação das tarifas impactará diretamente as principais exportações brasileiras para os Estados Unidos, com exceções para produtos como automóveis, autopeças, alumínio e aço, que já enfrentam tarifas de 25%. Outros produtos sujeitos a investigações sob a Section 232 do Departamento de Comércio, como semicondutores e farmacêuticos, também estão em análise para tarifas específicas.
Essas medidas tendem a tensionar as dinâmicas do comércio internacional e da política externa dos EUA, gerando instabilidades nos cenários econômico e comercial. Além disso, as novas tarifas podem aumentar os custos de produção e diminuir a competitividade dos Estados Unidos, que faz parte de cadeias de valor já estabelecidas.
O mercado financeiro tem reagido negativamente à política agressiva de Trump, refletido na queda dos índices acionários nas últimas semanas. Alguns membros do governo norte-americano, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendem uma postura mais pragmática e a busca por pré-acordos para evitar a implementação total das tarifas, embora Trump mantenha uma posição rígida.
As reações globais às novas tarifas têm sido variadas. A China e a União Europeia, por exemplo, veem as novas taxas como um compromisso que pode gerar mais desgaste em suas cadeias de suprimentos, pressionando-as a retaliar. Entretanto, setores específicos onde tanto a União Europeia quanto a China precisam modernizar se mostram menos vulneráveis, pois as tarifas incidem sobre produtos com poucas alternativas locais.
Para o Brasil, as novas medidas podem criar uma vantagem de acesso ao mercado americano em comparação a competidores europeus e asiáticos. Mesmo que as tarifas aumentem a competitividade de produtores dos Estados Unidos, México e Canadá (excluídos das elevações), há uma oportunidade potencial para as exportações brasileiras e sul-americanas.
